A energia é a principal aposta da edição deste ano da Fenasucro e Agrocana, feira voltada ao setor sucroenergético, que será realizada de 25 a 28 de agosto em Sertãozinho.

Pela primeira vez, o evento terá um setor totalmente voltado à energia, com a apresentação de novas tecnologias, discussões e rodada de negócios.

De acordo com a organização, serão pelo menos cerca de 20 empresas desse segmento e 40% de toda a feira trará soluções para a geração de energia a partir do bagaço da cana.

“A cogeração de energia é a bola da vez, a saída em meio a uma crise hídrica séria. E as usinas que não cogeram sofrem mais com a crise que o setor enfrenta. Por isso a feira vai trazer alternativas para o segmento”, explica Paulo Montabone, gerente geral da Fenasucro.

Para Antonio Eduardo Tonielo Filho, presidente do Ceise-Br, uma das entidades responsáveis pela feira, os negócios na Fenasucro ainda serão incentivados pelos leilões específicos para a energia de biomassa. “Serão 75 projetos nesses leilões que acontecem em abril e junho. Esperamos que até 40 consigam passar, o que já vai ajudar na feira”, diz.

Ainda segundo ele, por conta da demanda, as usinas precisam investir em tecnologias para a cogeração. “Temos capacidade para cogerar seis vezes mais do que hoje. Se houvessem mais políticas públicas de incentivo a essa produção, como é o caso dos leilões específicos, a conta de energia elétrica do brasileiro não teria sofrido esses reajustes”, diz Tonielo.

Reestruturação 
Além da crise energética, a cogeração se tornou a aposta deste ano da feira, que deve movimentar R$ 2,8 bilhões em negócios (leia texto abaixo), por conta da crise geral vivida pelo setor, de alta nos custos, queda nos preços e de produtividade nos canaviais.

“Há um realinhamento do setor. Uma readequação, uma estratégia de manter unidades próximas às áreas de produção para redução de custos. E a cogeração de energia é uma das alternativas das usinas que estão conseguindo passar por essa crise”, diz Montabone.

De acordo com Tonielo Filho, os anúncios dos governos, como aumento na mistura do etanol e a volta da Cide na gasolina, o que abriu a possibilidade para o aumento nos preços do etanol no mercado, trouxe um fôlego para o setor, mas ainda é preciso investir mais.

Fonte: Jornal A Cidade