Na lista das corretoras disponíveis no Tesouro Direto, há algumas que não cobram taxa de custódia. Elas são confiáveis? Quais cuidados devo ter?

 

Fique tranquilo, os bancos e corretoras autorizados a operar com o Tesouro Direto, também chamados agentes de custódia, são instituições confiáveis. Eles têm de atender a toda uma legislação e são fiscalizadas pelo Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Entendo sua preocupação, afinal não existe almoço grátis. Mas saiba como acontecem as operações: o Tesouro Nacional emite os títulos; estes, por sua vez, são guardados pela BM&FBovespa, que mantém o sistema do Tesouro Direto; os agentes de custódia realizam o cadastro dos investidores e fazem a intermediação da transferência de recursos financeiros e dos títulos. É importante saber que os títulos comprados ficam guardados na conta da Bolsa aberta em seu nome pelo seu agente de custódia. É como se fosse uma conta corrente em banco, mas que em vez de dinheiro guarda títulos. No caso de falência do agente de custódia, basta você abrir conta em outro agente e pedir a transferência dos títulos. Dos 70 agentes de custódia listados, apenas quatro não cobram taxas. As instituições restantes cobram de 0,06% até 0,7% e uma delas cobra 2% ao ano sobre a aplicação mantida. A sua decisão deve ser com base na qualidade do atendimento e serviços prestados. Mantenha contato com os agentes que você estiver interessado.

 

Eu e meu namorado compramos um apartamento na planta. Estamos pagando o período de obra até começar a quitar o financiamento. Como declarar esse bem, o dinheiro da entrada e os juros da obra que estamos pagando?

 

Declarar a compra de imóveis sempre exige uma série de detalhes. A primeira consideração é em relação ao casal, porque deve ser verificado se o relacionamento já é caracterizado como união estável. Nesse caso, a compra foi feita em regime de comunhão de bens e ambos são proprietários de 100% do imóvel. A aquisição será declarada por um de vocês, mas incluindo todos os pagamentos realizados pelo casal. Se o casal não tem uma união estável, a compra do imóvel é feita em regime de condomínio e a declaração deve ser separada, contendo o que cada um pagou individualmente, obviamente sendo obedecidos os limites de obrigatoriedade de declaração. É indicado ser feito um contrato em cartório entre os namorados em que se estabeleça a parte de cada um na compra, mantendo-se controle de todos os gastos devidamente comprovados. Os pagamentos já realizados devem estar na ficha de "bens e direitos". Na "descrição", devem aparecer os detalhes, como endereço, data e valor de aquisição, dados do vendedor, condições e formas de pagamento. Na compra conjunta, devem constar os dados da pessoa e CPF. Supondo que a aquisição ocorreu em 2015 na coluna "situação em 31/12/14", informe o preço e na coluna "situação em 31/12/2015" anote todos os pagamentos realizados a corretores e construtora, incluindo juros e encargos. Os valores pagos a corretores devem ser incluídos em campo próprio na ficha de "pagamentos efetuados". O saldo da dívida total não precisa ser informado na ficha de "dívidas e ônus reais" quando o imóvel for dado em garantia de financiamento.

 

Sou aposentado desde 2011, mas voltei a trabalhar em fevereiro deste ano. Telefonei para a central da Caixa Econômica Federal e fui informado que teria direito a sacar mensalmente o FGTS. Em seguida, fui à agência do banco, mas desmentiram a informação. Gostaria de saber se posso ou não retirar meu FGTS mensalmente?

 

A afirmação recebida na agência da Caixa está correta. Só o trabalhador que se aposenta e continua na mesma empresa como empregado tem o direito de receber o valor acumulado no FGTS no momento da aposentadoria e passar a sacar mensalmente os depósitos do empregador. Isso é válido para quem se aposentou a partir de 1º de dezembro de 2006. A conta do FGTS para esse trabalhador será a mesma conta que era mantida anteriormente. Assim, em caso de demissão, a base de cálculo da multa rescisória será maior, pois é calculada sobre o período trabalhado. Não tem direito ao saque mensal do FGTS o trabalhador que se aposenta e continua a trabalhar em uma empresa diferente. Obviamente, esse trabalhador não perde o direito ao saque do saldo na demissão. A diferença é que não importa o motivo pelo qual o trabalhador saiu da empresa, ele tem o direito ao saque. As pessoas com mais de 70 anos também podem sacar o FGTS. Infelizmente, o atendimento ao público nem sempre é eficiente e eu recebo constantes narrativas como essa, sobre informações desencontradas. Do ponto de vista financeiro, a sugestão é sacar o FGTS. A remuneração do FGTS é de 3% ao ano mais a variação da Taxa Referencial (TR), muito abaixo até da caderneta de poupança que rende 6,17% mais TR. Deixar o dinheiro na conta de FGTS é prejuízo financeiro certo já que a inflação está na casa de 9% ao ano.

Fonte: Estadão.com.br