De julho para agosto, IPCA desacelerou, de 0,62% para 0,22%

10 de setembro de 2015 - A inflação deu um certo alívio ao bolso do brasileiro de julho para agosto, ao desacelerar de 0,62% para 0,22%, o menor índice para o mês desde 2010. No entanto, no ano, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) bateu 7,06%, atingindo a maior taxa para o período desde 2003, segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Já em 12 meses, o IPCA acumula alta de 9,53%, ficando, mais uma vez, acima do teto da meta de inflação do Banco Central, de 6,5%.

“A impressão que dá para as pessoas é que ficou mais barato, mas não é isso, o nível de preços continua elevado, apesar de a taxa ter ficado em 0,22% em agosto, os preços continuaram aumentando”, disse Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índice de Preços do IBGE.

O que ficou mais barato

Em agosto, na comparação com o mês anterior, entre tudo o que ficou mais barato, as passagens aéreas chamaram a atenção, já que seu preço sofreu redução de quase 25%.

Os carros usados também tiveram valor reduzido (-1,03%). Todos esses itens integram o grupo de despesas com transporte, cuja variação passou de 0,15%, em julho, para -0,27% no mês seguinte.

Se por um lado viajar de avião e comprar carro ficou menos pesado, o custo com abastecimento dos veículos aumentou. O preço da gasolina subiu 0,67% e do etanol 0,60%. Consequentemente, a tarifa do ônibus urbano aumentou: 0,60%.

Os preços dos alimentos e das bebidas também diminuíram de julho para agosto (de 0,65% para -0,01%). Os destaques ficaram com a batata-inglesa (-14,75%), com o tomate (-12,88%) e com a cebola (-8,28%). Mas nem tudo ficou mais em conta. A farinha de mandioca, por exemplo, subiu 4,40% e o alho, 2,74%.

“O período do meio do ano se caracteriza pela colheita está sendo concluída, a oferta de alimento é grande, os agricultores costumam escoar a safra nesse período. Nesse ano, a gente viu um atraso nesse resultado mais moderado. Nossa avaliação é de que dólar pressionou os custos dos agricultores nos meses anteriores, e com isso, embora a oferta estaeja grande, nesses últimos tempos, os agricultores vêm sentindo o preço dos insumos, fertilizantes, adubos, que são preços em dólar. O dólar pode ter atrasado, quer dizer, impedido que a oferta dos alimentos se mostrasse abundante como chegou agora. Esse efeito de preços mais moderado do meio do ano, nós estamos vendo agora”, explicou Eulina.

Os gastos com habitação não chegaram a ter variação negativa, mas sofreram uma forte desaceleração, de 1,52% para 0,29%. A energia elétrica, que desde março de 2014 vinha subindo, caiu 0,42%. De acordo com o IBGE, esse recuo foi reflexo da redução de PIS/COFINS na maioria das regiões pesquisadas. Dentro desse grupo, avançaram os preços de taxa de água e esgoto (1,07%) e mão de obra pequenos reparos (0,84%).

“Nesse mês de agosto, apesar de algumas regiões ainda terem aumentado as tarifas, o PIS/Cofins, que é fixado a cada mês, fez com que algumas regiões pesquisadas tivessem as contas, não as tarifas, mas as contas mais baratas, e a energia ajudou muito no sentido da taxa chegar a 0,22%”, afirmou.

Entre os grupos de produtos e serviços pesquisados, foi educação, com 0,82%, que registrou a mais elevada taxa no índice do mês, reflexo do resultado apurado na coleta realizada em agosto, a fim de captar a realidade do segundo semestre do ano letivo. Os cursos regulares tiveram variação de 0,78%, enquanto os cursos diversos (informática, idioma, etc.) apresentaram alta de 1,62%.

Os gastos com educação foram os que sofreram o maior aumento de preços em agosto, 0,82%, "reflexo do resultado apurado na coleta realizada em agosto, a fim de captar a realidade do segundo semestre do ano letivo".

Por regiões

Entre todas as capitais pesquisadas pelo IBGE, a maior variação partiu de Curitiba (0,47%), onde os combustíveis ficaram bem mais caros. Na outra ponta está Brasília, puxada pelas passagens aéreas, que tiveram queda de 23,40%.

INPC

O IBGE também divulgou nesta quinta-feira o comportamento do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que também desacelerou, de 0,58% para 0,25%. No ano, o indicador acumula alta de 7,69% e nos últimos 12 meses, de 9,88%. Em agosto de 2014, o INPC foi de 0,18%.

Previsão do mercado

Os economistas do mercado financeiro estima que o feche o ano em 9,29%, de acordo com o mais recente boletim Focus, do Banco Central. Na previsão anterior, a taxa esperada, depois de duas quedas, era de 9,28%. Se confirmado, será o maior índice em 12 anos, ou seja, desde 2003 – quando somou 9,30%.

Em julho, o IPCA acumulado em 12 meses já estava em 9,56%, atingindo o maior valor desde novembro de 2003, quando ficou em 11,02%.

Fonte AECWeb